|
Analisar o grupo Clã Brasil é
fugir da metáfora sem destrancar-nos da poesia. Realidade
cristalina, as meninas que formam esse núcleo de
sublime construção musical são ao mesmo
tempo doces, amorosas e guerreiras. São flores que
têm lá seus espinhos guardiões da sua
compreensão musical: a defesa inegociável
das legítimas tradições estéticas
oriundas de mestres como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro,
Antônio Barros, Jacinto Silva, Gordurinha, Elino Julião,
entre outros.
Levemos em conta também o fato de que o quarteto
fantástico não caiu na pauta musical de pára-quedas.
As quatro garotas são estudiosas, freqüentam
os bancos acadêmicos e têm plena noção
de teoria e prática na arte que escolheram por empunhar
como suas espadas de peso justo. Não devemos ouvi-las
com mas-mas e nem poréns. Devemo-las sagrar como
realidade, conscientes de que é uma realidade que
ainda evoluirá bastante, e que, excetuando mudança
de ventos, será uma realidade nacional e, quiçá,
internacional.
Jovens, sim, jovens. Mas não as tratemos como menininhas
prodígios que merecem atenção apenas
pela pouca idade. Poucos são os marmanjos que tocam
como elas, hoje em dia.
Louvemo-las como grandes artistas desabrochadas e bafejadas
pelo plenilúnio criativo. Elas sempre me emocionam.
Seja no forró seja no chorinho o Clã Brasil
é a fortuna musical que o Nordeste esperava para
negar definitivamente as falsas bandas de forró.
O diálogo musical aqui está em outro nível,
as meninas catam inspiração nas nuvens alvas
divinais. Não são mercenárias e nem
se deslumbram. A música é Paixão e
Sacerdócio para elas. E ninguém mais as represará.
Porque, sem a menor dúvida, Deus está tocando
com elas. E elas são tocadas por Deus.
Ricardo Anísio
Crítico musical, poeta e produtor
|